História da Vila de Cucujães
Por: Teresa Cruz e Valter Santos
VAI A LINHA DO VALE DO VOUGA ACABAR?
Estação de Moinhos, Cucujães, em, 1983Tem sido notícia o encerramento da Linha do Vale do Vouga, o “Comboio do Povo” ou “Vouguinha” como, carinhosamente, a população o designa.
No dia 23 deste mês comemoram-se os 103 anos desta Linha e o Vouguinha continua a trilhar, mas por quanto tempo?
A locomotiva a carvão foi substituída e a Empresa tem gasto milhões de euros em tecnologias de pontas para diminuir e automatizar o número de passagens de nível. Esta Linha, de Espinho a Sernada do Vouga, num percurso de 96 km, tinha 158 passagens de nível. O dinheiro foi gasto e agora é para se deitar tudo ao lixo, com o dito encerramento da mesma? Má gestão ou visão inapropriada de alguém?
A Assembleia Metropolitana do Porto aprovou uma moção a favor da manutenção da Linha do Vale do Vouga, mas o actual governo quer encerrar de vez o Vouguinha. O mal do nosso país são papéis, burocracias e ideias de uns quantos que se sentam, bem confortáveis e que decidem acabar com um transporte que é de todos nós.
Dizem que não é rentável. Pois, pode ser muito rentável, se modificarem as condições de funcionamento, começando por melhorar os horários, adaptando-os às necessidades da população e às diversas realidades actuais e locais. Devemos aqui também mencionar a diminuição do impacto ambiental, a ligação entre locais, a melhoria contínua das condições de deslocação, melhor qualidade de vida e bem-estar dos utentes, acessibilidade para os que têm mobilidade reduzida e muito mais.
Esta Linha trás benefícios, não só para os utentes, mas para toda a população. Um serviço prestável evitará congestionamento de tráfego nos centros urbanos, escassez de locais de estacionamento, resultantes da maior utilização do transporte individual e uma viagem onde o comboio atravessa a Natureza.
Não é o encerramento da Linha que irá resolver o problema. A solução é fazer um projecto de mobilidade sustentável. É investir e não abandonar. É gerir com eficiência.
Há países que aumentam e melhoram, cada vez mais, transportes como o Vouguinha. Fazem projectos a longo prazo, no mínimo 30 anos e não fecham linhas de transporte público. O Vouguinha não é só para ir à praia nos meses de verão. Tem bastante movimento durante a semana (trabalhadores e estudantes) e este também aumenta nos dias de mercado das freguesias vizinhas. E ainda há o turismo. Porque não explorá-lo de forma eficiente?
Se for o caso de Utilidade Pública esse título garante às entidades, fundações e associações civis o reconhecimento como instituições sem fins lucrativos e prestadoras de serviços à sociedade e daí reverter em finalidades estatuárias, manutenção ou expansão todos os lucros obtidos em actividades ou serviços desenvolvidos por elas.
A crise económica que está a aumentar, levará pessoas a deixar de utilizar o transporte individual. Pois bem, se a linha fechar e a economia não mudar, teremos de voltar às carroças puxadas a cavalos, ou melhor a burros, por serem mais baratos e de baixa manutenção.
Não se deve destruir o que já se tem, mas melhorar. Afinal as raízes estão plantadas, basta dar-lhes “adubo e água” para vigorarem. Façam isso com o Vouguinha e valha-nos o Santo Amaro, padroeiro dos ferroviários.