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Autor Tópico: Convento de Cucujães  (Lida 1317 vezes)
valter Santos
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« em: 01 de Fevereiro de 2012, 14:19:56 »

História da Vila de Cucujães
Por: Teresa Cruz e Valter Santos



Convento de Cucujães


Esta notícia foi primeiramente publicada no Jornal “O Século”, (1880–1979) e relata-nos um pouco da história deste convento. A mesma, em Outubro de 1900, aparece no Jornal  “Correio da Feira”.
Dado o seu interesse, optamos por transcrever na grafia original.


Imagem - Aqui foi o Convento de Cucujães

 “O Convento de Cocujães

Na freguesia de Couto de Cucujães (Oliveira de Azemeis), existe um mosteiro benedictino, que é antiquíssimo, creio que anterior á monarchia. Um frade do convento era commumente o abbade da freguezia, que rendia para o mosteiro reis 800$000.
Depois da extinção das ordens religiosas, foi adquirido o edifício e cerca do convento por um indivíduo já fallecido, Manoel Joaquim da Fonseca. Alguns miguelistas empregaram esforços para o restabelecimento do convento, e em resultado d’esses esforços foi por um frade bento, já falleccido, fr. João, comprado o convento. Dada d’ahi a reorganisação da ordem n’aquela freguesia.
Hoje está prospera, tem noviciado (actualmente três noviços) e irmãos leigos (presentemente uns cinco), teem-se ali tomado ordens somente com os estudos ministrados no convento; o mais recente frade ordenado n’estas condições é fr. Martinho, no seculo, o padre Neto. Tem alguns padres allemães.
Entre as coisas curiosas d’estes frades, há o seguinte: o seu reorganisador, o já mencionado fr. João, quando nas missas, incluindo as cantadas, tinha de dizer a oração em que, segundo o rito romano, se pedem as bênçãos do ceu para o governante, em vez de regem nostrum Lodaricum, ou, mais tarde, regem nostrum Carolum, dista regem nostrum Michailem (o nosso rei D. Miguel). Por mais extraordinário que pareça, o facto é perfeitamente authentico.
Os frades teem augmentado bastante os bens do mosteiro, tiveram em tempo uma questão com a junta da parochia, por causa de um terreno baldio, de que se queriam apoderar, ficando vencidos. Há cerca de um anno, compraram uma quinta adjacente à do convento, a quinta do Teso, que pertencia aos herdeiros de Joss Bastos. Adquiriram, por compra, em Lamego, um collegio, que administram.
Em Santo Thyrso há uma quinta, chamada de Segiverde, que pertencia a uma viúva rica: um dos frades da ordem era o capellão da casa, passando a quinta, por morte da viúva, para os frades. Todas estas acquisições são em nome individual, e não da ordem para evitar duvidas.
Junto ao convento, existe, edificada pela ordem, uma casa, a que chamam: azylo das cegas. Para justificar o nome, existem ahi umas duas ou três mulheres cegas, e muitas mais que o não são.
Ahi se faz um chamado retiro espiritual, mediante 200 reis por cabeça; veem de bastante longe, até três léguas em redor, mulheres confessar-se, e pernoitam muitas vezes. Algumas são novas, guapas e bonitas.
Os frades praticavam, em regra, os seus exercícios e prédicas, com os respectivos habitos, na egreja matriz, com o qual o convento communica, e exerciam quasi todo o munus parochial. Houve, porém, um parocho que, cioso dos seus direitos, se oppoz, pelo que elles edificaram uma espaçosa capella junto ao convento, mas sempre que podem, ou os deixam, lá estão na egreja.
A influencia d’elles na fregueszia, especialmente no elemento feminino, é grande; muitas mulhers ajoelham para lhes beijar a mão, quando os encontram, e algumas choram, ao ver as obras de satanaz, como elas dizem, referindo-se aos actuais sucessos, que podem affectar a tranquilidade dos frades.
Há homens medianamente illustrados a quem elles também teem sabido hypnotisar.”
« Última modificação: 01 de Fevereiro de 2012, 14:40:34 por O Cucujanense » Denunciar ao Moderador   Registado
José Pedro
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« Responder #1 em: 21 de Março de 2012, 14:29:51 »

Boa tarde, quero antes demais enaltecer o esforço e dedicação das pessoas que contribuem para a informação histórica que tem como resultados, o estudo das várias actividades ligadas á cultura humana, e que pelas quais compreendemos a evolução histórica das mesmas actividades, até as que chegam aos nossos dias. Sei ainda que, aliadas a estas descobertas temos o prazer de compreender uma realidade histórica passada da nossa própria terra que muito contribui para a nossa identidade, pois como dizia um dos fundamentos do integralismo lusitano:« Só o povo saberá o que fazer quando, se recordará daquilo que já foi.»  Bem, escrevo com o intuito de contribuir com algo que eu sei relacionado com esse mesmo mosteiro que muito recentemente tive o prazer de visitar a igreja de que faz parte. Os altares laterais, não são dos finais do séc. XIX, ao contrário que o ilustre historiador de arte afirmou no inventário artístico de Portugal, Padre António Nogueira Gonçalves, são do inicio do século XX, feitos pelo entalhador carregosense José Ferreira dos Santos, por encomenda do Abade de Cucujâes.  Aproveito para dizer que estou disponível para contribuir com mais imformações acerca deste e de outros assuntos relacionados com Carregosa, pois é a minha freguesia e possuo algum conhecimento sobre a história da terra.

Cumprimentos José Pedro
 

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valter Santos
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« Responder #2 em: 30 de Março de 2012, 10:25:25 »

Caro José Pedro
Na altura li com agrado o seu comentário sobre o autor dos altares da Igreja Matriz de Cucujães, o conheciso entalhador que o amigo indica.
Não respondi de imediato porque o José Pedro se prestava a colaborar com este Forum, nomeadamente sobre a sua terra Carregosa, não o fiz pelo simples facto de não ser o administrador de ocucujanense.com, o jovem Fábio Silva, que sei que aceita com todo o bom grada a colaboração dos leitores, por isso seja bem vindo e conte-nes o que sabe sob a sua terra e já agora sobre a pessoa que foi esse famoso entalhador carregosense.
Um abraço amigo de
Valter Santos
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O Cucujanense
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« Responder #3 em: 30 de Março de 2012, 16:02:14 »

Boa tarde Sr. Valter Santos,

Sim, claro! Este espaço (www.ocucujanense.com/forum) está à inteira disposição de todos os utilizadores que nele queiram participar.

Quanto à colaboração do Sr. José Pedro, será bem-vinda! Teremos todo o gosto.

Obrigado,
O Cucujanense
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José Pedro
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« Responder #4 em: 02 de Abril de 2012, 09:48:14 »

Bom dia, bem, sobre a minha terra tenho-me debruçado por vezes, e quando tenho tempo, sobre a história mais recente, sobre o séc. XIX e inícios do XX pois considero que este período cronológico deve ser o primeiro a ser estudado, pois tem a vantagem, e é imperativo contar com testemunhos das pessoas idosas e consequentemente com o seu saber, saber que, infelizmente,  não estará sempre á disposição. No entanto, como a história está sempre ligada, por vezes aparecem questões mais antigas e que tem muito interesse, relativamente á freguesia de Carregosa, e que aqui deixo em aberto, por exemplo:  e existência de fábricas de chapéus no séc. XVIII, ou sobre a batalha campal entre os cristão e os mouros, ou ainda sobre a figura paternal de D. Manuel Correia de Bastos Pina que consistiu num episódio único e romântico da capela de Nossa Senhora de Lourdes. Tanto sobre o famoso entalhador, como algum conhecimento sobre a história da terra, posso, e tenho todo o prazer em enviar-lhe por email alguns trabalhos que tenho realizado.  Como também procuro pistas sobre os assuntos que falei anteriormente, principalmente os dois últimos, e no caso de saberem alguma coisa relevante acerca deles gostava  que partilhassem comigo. O meu email: jose_pesfial@hotmail.com

Cumprimentos José Pedro
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