Vida & Pessoas
Estafeta da solidariedade continua o seu caminho contra a pobreza
Estafeta da solidariedade continua o seu caminho contra a pobreza
Cucujães foi palco de uma conversa sobre o tema que, infelizmente, hoje como ontem, atinge milhões de pessoas. A participação de jovens com música e poemas sobre a temática marcou de forma positiva a iniciativa.
Aumento de pedidos de ajuda à Acção Social
O mote do debate foi lançado pelo Secretariado da Juventude de Cucujães, pela sua responsável, Paula Moreira, onde estiveram presentes o P. Luís Vieira, Gracinda Leal, vereadora da Acção Social da Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis, Irmã Conceição Laranjeiro de Cucujães, Carlos Costa Gomes, especialista em Bioética e investigador do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa, Bernardino Silva, jovem de Braga que integra equipa de voluntários de acção humanitária no estrangeiro, Fernando, voluntário e responsável por equipa de apoio e ajuda aos sem-abrigo no Porto. A tónica do debate, moderado por Rui Cabral, presidente da Junta de Freguesia de Loureiro, incidiu sobre a vivência, experiência e testemunho de cada um nesta problemática.
Na abertura, Gracinda Leal referiu a importância do Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social, bem como do facto da Câmara Municipal se associar a esta causa. O desafio lançado pela União Europeia a todos países não foi indiferente à autarquia e, por isso, “hoje estamos aqui a falar sobre um flagelo que afecta 17% da população mundial”. Em relação ao concelho, referiu que “cerca de 6% de oliveirenses estão no desemprego e o aumento dos pedidos de ajuda aos serviços da Acção Social têm vindo a suceder-se”.
Numa óptica pessoal, salientou a importância da sua formação e educação cristã e católica e a experiência de vida com que foi presenteada na sua juventude pelos diversos grupos de acção juvenil à luz da Igreja. “Esta vivência formou-me como pessoa e despertou-me para os problemas e causas sociais”, disse.
A pobreza vive-se… toca-se!
Sempre com interesse e importância são os testemunhos de gente que largam ‘tudo’ à procura do ‘nada’. A experiência missionária do Padre Luís Vi eira, quase como acordou o auditório do Centro Cultural de Cucujães, quando em voz de apelo disse: “A pobreza não se diz, vive-se e sente-se”. Com os 43 milhões de refugiados, a pobreza e a miséria não se dizem, tocam-se e só desta forma poderemos reduzir o elevado número de pessoas que vivem esta dramática situação. No mesmo sentido foi o testemunho de Bernardino Silva, que aludiu à sua experiência voluntária além fronteiras, onde todos os dias se depara com a miséria extrema dos milhões de refugiados, que vivem em situação precária e a outros tantos que não têm mais do que uma ‘refeição’ por dia. Este voluntário bracarense não teve dúvidas em dizer que em Portugal não há pobreza comparada com aquela que se vive nos países por onde tem realizado a sua acção humanitária. A Irmã Conceição Laranjeiro, muito acarinhada pelo povo de Cucujães, relembrando a sua acção em favor dos mais necessitados, referiu que sempre se sentiu uma servidora de Deus para estar ao serviço dos outros, neste caso dos mais pobres.
Fernando, responsável pelo grupo da ‘Ronda dos Sem-Abrigo’ no Porto, partilhou com emoção esta vivência de se sentir útil no serviço que presta aos mais desfavorecidos da sociedade.
No início eram poucos; contudo, actualmente o grupo tem cerca de 70 elementos, formando 10 equipas de apoio passando pelos bairros e ruas mais degradadas e ‘violentas’ da cidade do Porto. Estes sem-abrigo apenas precisam de alguém que os escute e partilhem com eles algum do seu tempo. No final do seu testemunho, convidou os jovens presentes, entre outros, a fazerem a experiência da partilha com os sem-abrigo.
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