Crónicas de Lisboa
Os líderes precoces das nossas escolas
Os líderes precoces das nossas escolas
Vivemos uma época em que se constata a falta de líderes em Portugal e no mundo ou não será esta uma falsa questão porque estes existem mas coíbem-se de assumir lideranças, porque ser líder nas democracias é um risco que não compensa, porque muitas forças se conjugam para tornarem difícil a vida dos líderes.Comecei esta crónica com uma abordagem sobre os líderes e ou a falta deles e as consequências para as organizações e para os próprios países, face à sua escassez, mas o meu objectivo é fazer a ponte para estas formas de lideranças juvenis na actualidade e na nossa sociedade, como são os exemplos aqui citados e às quais poderíamos acrescentar os líderes de “gangues” juvenis que por aí andam no “mundo do crime”, lideranças estas que bem dispensaríamos. Obviamente que fico muito preocupado com estas acções porque elas revelam que o nosso modelo de educação e formação caminha para o “fundo do poço”, apesar de haver muita gente que entende que estes são actos próprios da juventude e riem-se ou olham para o lado! Serão democráticas estas acções lideradas e assumidas por jovens cuja maturidade e conhecimentos não estão ainda formadas? Como é possível que tal aconteça e que força terão eles para ousarem assumir este tipo de acções? Que sociedade é esta que “tolera” tudo isto? Atirar ovos, tomates, chamar nomes pejorativos e ofensivos e outras acções a governantes democraticamente eleitos serão gestos de gente educada e bem formada, mesmo em sinal de protesto, por muitas razões de queixa que eventualmente tenham? E o que dizer se estes gestos forem da autoria de crianças e jovens que temos a obrigação de educar e formar? Quem lhe serve de modelo nesses actos e gestos e quem se demite dessa responsabilidade? Onde estão os responsáveis pela educação desses “líderes e dos seus seguidores”? Será que os pais, os professores e as associações de pais fazem como Pilatos e “lavam daí as suas mãos”? E as autoridades governamentais que também elas se demitem dessa função permitindo todo o tipo de manifestações com ofensas pessoais e funcionais intoleráveis para um país que se pretende democrático e evoluído? Há membros deste governo, incluindo o PM, que não são livres de se deslocarem a qualquer lugar, em desempenho das suas legítimas e democráticas funções, sem que sejam enxovalhados por manifestantes que perderam o respeito à democracia e às instituições. Não serão crime este tipo de ofensas? Confesso que, como cidadão, me entristece e revolta este tipo de acções ainda mais se forem crianças e jovens os seus actores. Ousemos perguntar-lhes que tipo de escola querem ou melhor, se querem mesmo frequentar a escola e também que matérias e programas escolares querem eles aprender e que outras regalias desejam para “fazerem o favor de aprenderem”. Proponho que sejam eles a escolher tudo o que desejam mesmo para alem da vida escolar e faça-se o mesmo em casa, aliás, como já alguns educadores fazem para não se arriscarem a ouvir dos seus educandos o mesmo tipo de manifestações e de “mimos verbais” que estes utilizam contra os “donos da escola”. Que educação lhes estamos a transmitir e se nos demitirmos da nossa responsabilidade, que é grande nesta matéria, que cidadãos estaremos a formar e que consequências daí advirão para a nossa sociedade e o nosso futuro? E no meio de tudo isto, o cidadão contribuinte paga para que a escola pública continue a afundar-se, salvo raras e honrosas excepções, tal como muitos heróicos agentes educadores (professores, auxiliares, etc.) que acabam por sentir as frustrações e a impotência de remarem contra esta maré de indisciplina reinante. Assim, caminhamos, na educação, alegremente para a cauda do pelotão das sociedades desenvolvidas, com graves consequências para o nosso país e para a nossa vida em sociedade.
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