Quinta-feira, 09 Fevereiro 2012
Actualização Diária | Registo ERC N° 125226 | Director: Fábio Silva

Partir nunca é fácil

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Qualquer processo precisa sempre de uma energia de activação, e isso exige esforço. Partir nunca é fácil! Após o salto para o abismo, a viagem começa a valer a pena! Descobri uma cidade fantástica! Para mim, é tudo tão diferente que, cada sítio novo que conheço me deslumbra bastante.

Nápoles é a principal cidade da região da Campania. Uma zona do sul de Itália, onde a cultura se encontrou com a violência indiferente da Natureza. Esta cidade está instalada entre a imponente montanha do vulcão Vesúvio, que é o ícone mais distintivo desta região e uma baía extraordinariamente bonita, com vista para a ilha de Capri, a flutuar no azul do Mediterrâneo. 

Os episódios que a história conta, sobre esta montanha, não são de harmonia, como a sua imagem inspira. Uma violenta erupção destruiu uma civilização inteira, que, nos tempos do Império Romano, estava instalada na base da montanha. Mas, apesar da fatalidade dos acontecimentos, o tempo preservou miraculosamente grandes vestígios desta civilização. Aglomerados como a Cidade de Pompeia, a Vila Herculaneum, e outros que encontramos aqui revelam, de uma forma singular, a riqueza da herança cultural deixada pelos povos que aqui habitaram. Aqui encontramos estabelecido um conceito de beleza que não é mais do que o fundamento do nosso conceito actual.

A comida é, como esperava, muito boa. A base da alimentação é composta pelos mesmos ingredientes que a nossa comida, em Portugal, mas a maneira de os cozinhar faz com que o resultado final seja bastante diferente, embora não menos apetecível. Aqui se faz a pizza mais tradicional de Itália, visto ser daqui oriundo este prato tão exportado para todas as partes do mundo. O café é outra coisa original desta região. Por vezes nomeamos de “napolitano” o café curto e concentrado. Pois, o café é todo assim: muito curto, muito espesso, muito concentrado, e muito bom!

A cultura italiana pode dizer-se, no geral, muito parecida com a nossa mas, pelo menos aqui no sul, a diferença que mais se acentua é a atitude das pessoas perante as coisas. Parece que todas as pessoas têm o coração na garganta, e vivem com uma ansiedade descomunal. Não há, nas suas vidas, nenhum momento de quietude e o silêncio é uma raridade, nas ruas, nas casas, nos cafés, nos estabelecimentos comerciais, em todo o lado se sente o burburinho de um movimento constante e, no meio desse movimento, ouve-se sempre um cantar italiano à terra ou às mulheres. Isto tudo envolto em palavras que, mesmo sem compreender totalmente, me soam melodiosamente bem, nesta língua musical que nos embriaga mais do que o vinho deste país.

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