
Produza em casa, produza biológico!
Na civilização em que vivemos, ainda não é dada a devida importância ao setor primário e ao papel de destaque que este assume nas nossas vidas. Se eventualmente perguntarem a uma criança qual a origem de um determinado alimento, certamente a resposta será as inestimáveis prateleiras dos hipermercados. A população que se ocupa da agricultura é cada vez menor; a linha que separa a gente das suas origens rurais parece acentuar-se. No entanto, uma ideia permanece imutável: dependemos da terra para a nossa sobrevivência.
Ainda assim, fruto das dificuldades financeiras que atualmente vivemos ou das consequências quase diárias das alterações ambientais, muito se tem ouvido falar da produção doméstica de alimentos. As hortas domésticas têm-se vindo a firmar como uma forma mais saudável e economicamente mais viável de produzir alimentos; uma prática louvável tendo em conta todas as vantagens que nos pode proporcionar.
Quais as vantagens para a nossa saúde de produzir Biológico?
O consumo de alimentos sadios, isentos de contaminação química, é um meio preventivo por excelência. Nesse sentido, os alimentos biológicos contribuem plenamente para uma alimentação promotora de saúde e bem-estar. Os produtos provenientes desta prática são mais ricos em minerais e vitaminas, incluindo anti-oxidantes (importantes na prevenção de estados cancerosos), refletindo-se num aroma e sabor mais intensos. É um modo de reencontrar o sabor genuíno e tradicional dos alimentos e uma forma saborosa de promover a saúde. Por outro lado, são alimentos isentos de resíduos de pesticidas. Além de proporcionar uma alimentação mais saudável para toda a família, o produtor pode beneficiar financeiramente comercializando o excedente da produção. Assim, as hortas domésticas permitem que as populações cuidem do seu próprio solo, produzam o seu próprio alimento com base em recursos locais, conferindo-lhes a autonomia necessária para um desenvolvimento mais equilibrado e independente.
Enquanto consumidores, temos uma palavra a dizer através das nossas escolhas de consumo. Estas podem exercer uma influência determinante: em benefício da nossa própria saúde e da dos nossos familiares e, ao mesmo tempo, em defesa do ambiente, dos solos e das águas e da vitalidade dos espaços rurais. Nesse sentido, consumir alimentos orgânicos é um gesto positivo e inovador, um voto concreto para uma mudança necessária no sentido da saúde e do bem-estar global – individual e planetário.
Num ano que se avizinha menos próspero, opte por produzir aquilo que come!
Um artigo de Rita Fazenda, licenciada em Ciências da Nutrição pela Universidade do Porto.
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