Sábado, 19 Maio 2012
Actualização Diária | Registo ERC N° 125226 | Director: Fábio Silva

A saúde do seu coração é preciosa! Acima de tudo, ame-se a si próprio.

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A saúde do seu coração é preciosa! Acima de tudo, ame-se a si próprio.No passado dia 14 de fevereiro, comemorou-se mais um Dia Europeu do Doente Coronário. A doença coronária é uma das principais causas de morte nos países desenvolvidos, sendo uma típica "doença da civilização" que todos os anos mata milhares de pessoas. Calcula-se que a doença coronária é responsável, em média, por 1/3 do total de mortes entre a população dos países industrializados. É uma verdadeira "epidemia" moderna.

Para percebermos um pouco em que consiste esta patologia, a doença coronária resume-se a uma inflamação das artérias coronárias, os vasos sanguíneos encarregues de irrigar o coração, de proporcionarem ao músculo cardíaco, o miocárdio, os nutrientes e o oxigénio de que este necessita para manter a sua constante atividade. O depósito de gorduras e de outras substâncias na parede das artérias coronárias leva à formação de placas que estreitam a entrada dos vasos, impedindo a normal circulação sanguínea no seu interior e a correta irrigação dos tecidos do coração. Trata-se de um processo lento e progressivo, que passa despercebido durante muitos anos, mas que ao atingir um determinado ponto provoca o défice de irrigação do miocárdio, com manifestações típicas e, muitas vezes, com consequências terríveis.

E o que está por detrás de todo este processo? A este nível a investigação joga a nosso favor. E isto porquê? Porque a maioria dos fatores de risco que hoje são consensualmente aceites como mais prejudiciais, dependem de nós e da postura que adotamos diariamente. A inatividade física, a alimentação desequilibrada, o tabagismo e o stress, constituem, hoje, os principais alvos a abater!

E porque a mim toca-me, em especial, a parte da alimentação, aqui deixo alguns conselhos para que possam alimentar, de forma adequada, aquele que continua a trabalhar todos os dias para nos manter vivos:

  • Mantenha os seus níveis de glicemia (açúcar no sangue) estáveis, dando prioridade aos hidratos de carbono de baixo índice glicémico, como o arroz, o trigo, a aveia e o centeio integrais e as leguminosas (feijão, grão ou favas). Evite, ao máximo, o “pão branco”, bolachas elaboradas a partir de farinhas refinadas (ou seja, praticamente todas), produtos de pastelaria e confeitaria e os refrigerantes.
  • Controle o “mau” colesterol ou colesterol-LDL. Quer o excesso de colesterol-LDL, quer a falta de colesterol-HDL (“bom” colesterol), aumentam o risco de doenças cardiovasculares. Ao contrário do que é normalmente aclamado, mais do que o próprio colesterol dos alimentos, a gordura saturada é a principal responsável pela elevação do colesterol-LDL que circula no sangue. Por isso, evite produtos que a contenham: carnes vermelhas, enchidos, carnes processadas (salsichas, etc) e produtos lácteos (opte pelas versões com reduzido teor em gordura).
  • Reduza o consumo de gorduras pró-inflamatórias (ómega 6). Estas são, normalmente, encontradas na carne, nos óleos refinados e nas margarinas feitas a partir de óleos vegetais, como a soja, o girassol ou o milho.
  • Aumente o consumo de gorduras anti-inflamatórias (ómega 3), presentes, essencialmente, no peixe gordo (salmão, atum, cavala, etc), nas sementes de linhaça e nas nozes.
  • Substitua refeições de carne ou de peixe por soja, tofu ou seitan. Substitua, por vezes, o leite pela bebida de soja (atenção ao açúcar adicionado, leia o rótulo!). Há evidências crescentes de que o consumo de proteína de soja reduz os níveis de colesterol no sangue e pode fornecer outros benefícios a nível cardiovascular.
  • Use e abuse dos legumes e da fruta: são extremamente ricos em antioxidantes, essenciais no controlo do stress oxidativo, e em fibras. Uma dica: não os cozinhe demasiado para não perderem as suas propriedades.
  • Modere o consumo de sal para evitar picos de tensão arterial.

Apesar de ser um assunto de manchete quase diário, nada parece prever que os números incríveis de morte por doença coronária tomem um rumo diferente. Mas a ignorância já não pode mais ser apontada como causa. A informação nunca esteve tão dissipada; a facilidade de acesso, hoje em dia, é inquestionável.

Não perca tempo com desculpas; procure soluções!

Está nas suas mãos (e nos seus pés, também). Comece desde já a agir em sintonia com o seu coração! Se depende de nós, porquê pensar duas vezes?

Um artigo de Rita Fazenda, licenciada em Ciências da Nutrição pela Universidade do Porto.

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